O desmame

Não lembro bem quanto tempo fazia que a Olívia só mamava para dormir (tanto a soneca da tarde quanto de noite). Esse “só” tem um porém: se ela desse qualquer acordadinha no meio da noite ela precisava mamar para voltar a dormir. E isso acontecia várias vezes de madrugada. Em 2 anos e 2 meses posso contar nos dedos de uma mão as vezes em que ela dormiu uma noite inteira. Obviamente, eu vivia exausta e, neste período tive algumas fases em que o cansaço realmente me derrubava. Apesar de este ser o principal motivo para eu desejar o desmame há algum tempo, havia outro fator que estava começando a me incomodar um pouco: o fato de só eu poder colocar a Olívia para dormir. Às vezes eu queria ir a algum evento de noite, palestra, encontrar amigos etc., mas não dava. Quando eu realmente precisava sair, ia com o coração na mão, pensando que ela não dormiria por não ter o mamá. E, de fato, das vezes em que eu precisei sair ela só conseguiu dormir uma vez sem mamar.

Quando ela tinha aproximadamente um ano e meio (e eu já tinha lido muito sobre o desmame noturno) tentei, por uma noite, deixa-la sem mamar. Foi horrível, péssimo e foi a primeira e a última vez que eu tentei desmamar até agora. Para falar a verdade, depois desse episódio eu já tinha deixado o desmame nas mãos da Olívia e crente que isso duraria mais uns 2 anos. Mas na noite de 7 de março (sábado para domingo), ela já estava dormindo e acordou lá pelas 11 da noite. Eu estava, como sempre, muito cansada e percebi que ela estava um pouco resfriada. Posso parecer um pouco ruim pelo que vou dizer agora, mas o resfriado dela me deu um impulso para tentar desmamar. Isso porque sempre que ela estava com o nariz trancado não conseguia mamar, ficava irritada, não conseguia dormir e era tudo muito difícil. Mas, para a minha surpresa, fiz um pouco de carinho e ela voltou a dormir sem o mamá. Foi assim a noite toda.

De manhã ela normalmente acordava e mamava, meio dormindo, por mais uma hora. Nem preciso dizer que isso também me deixava cansada pra caramba e que eu já acordava com dor nas costas. Então, na manhã do dia seguinte, ela pediu pra mamar. Eu expliquei que não, que ela não precisava mais mamar, que já era uma menina grande e que poderia tomar um pouco de água se estivesse com sede. Essa hora ela chorou, eu tentei abraça-la, ela não quis. Continuei conversando com ela e rapidamente ela parou de chorar, saiu da cama (fazemos cama compartilhada) e ela pediu para comer. Aliás, desde que ela desmamou ela tem tomado um café da manhã caprichado. Já acorda com fome de leão e se antes a gente conseguia ficar fazendo uma preguiça na cama por um tempo, agora tem que levantar a preparar imediatamente alguma coisa para ela comer.

Como a noite tinha sido cansativa e ela tinha acordado bem cedo (cedo MESMO, antes das 6) eu tentei coloca-la para dormir algumas vezes durante o dia. Mas não deu certo, ela se recusou a dormir todas as vezes. E desde que ela desmamou não tem mais tirado soneca de tarde (a não ser quando a gente sai de carro). A noite do dia 8 foi a mais difícil. Ela estava muito cansada e com muito sono e não conseguia adormecer. Ainda assim, em nenhum momento pediu para mamar. Quando ela já estava chorando de sono e eu não sabia mais o que fazer, peguei-a no colo e comecei a ninar. Em aproximadamente 10 segundos ela estava dormindo. O cansaço foi tanto que ela dormiu a noite toda, mas continuou acordando bem cedo.

Abre aspas para falar sobre a minha produção de leite: no primeiro dia depois do desmame meu peito aumentou de tamanho, mas nada de incômodo. Nesta noite do dia 8 ele encheu e doeu demais, endureceu e eu tive que ordenhar um pouco (mas bem pouco, senão estimula a produção). A dica da minha sogra, que é ginecologista é: não ordenhe, se doer muito tome um analgésico e procure ajuda somente se a região ficar vermelha ou quente. Meus seios doeram por duas noites, vazaram um pouco e nos dois dias seguintes um deles ficou um pouco empedrado e doído em um dos lados. Mas no dia seguinte ficou tudo bem e eu não precisei tomar nenhum remédio para secar porque naturalmente a produção diminuiu.

Voltando ao desmame…nestas duas semanas, Olívia só pediu para mamar umas 4 vezes. Então eu conversava bastante com ela e mudava o foco da coisa. Nossa rotina mudou um pouco também. Há alguns meses ela já vinha pulando algumas sonecas da tarde e, agora, elas definitivamente acabaram. Quando ela está com muito, muito sono mesmo e não consegue adormecer, damos uma voltinha de carro com ela para ela dormir e descansar, senão o dia fica difícil pra todo mundo. A eliminação da soneca da tarde fez com que a rotina da noite passasse a ser bem mais cedo. Ela janta lá pelas 18:30, às 19 ela toma um banho relaxante e eu faço uma massagem quando ela quer. Depois disso, vamos para o quarto, com a luz baixa e ela escolhe os livros que quer ler. Lemos um ou dois, ela apaga a luz e vai pra cama, onde eu conto outra história bem baixinho, ela se aninha em mim, eu dou uma chacoalhadinha quando precisa e ela adormece tranquilamente. Ela dorme até 6:45, 7 horas. Um detalhe importantíssimo: o desmame noturno não é garantia de que a criança vai dormir a noite toda. Olívia ainda acorda à noite, mas consegue voltar a dormir com mais facilidade e, muitas vezes, sem a minha ajuda.

Esta rotina tranquila e pacífica é bem diferente da que estava acontecendo quando eu precisava amamentar para ela dormir. Fazia algum tempo que dar o mamá já não estava sendo prazeroso para mim. Estava sendo cansativo e incômodo e eu não curtia do jeito como eu curtia antes. Essa transição, embora não tenha iniciado por parte dela, e sim pela minha, foi bastante importante e necessária. Mas, acima de tudo, na hora certa. Se ela não estivesse preparada, não teria acontecido de forma tão suave. Se ela chorasse e pedisse pelo mamá repetidamente, ou se não conseguisse dormir sozinha e passasse noites chorando e cansada, eu teria voltado atrás e deixado para outro momento. E eu também esperei passar a fase de adaptação na escolinha, porque isso por si já foi uma mudança bem grande para ela.

Foram 2 anos e 2 meses de amamentação em livre demanda. 2 anos e 2 meses de muito leite e de muito amor. Não foram fáceis e eu acho que toda mãe concorda que nunca é tão fácil como parece. Amamentar, especialmente quando você opta pela amamentação prolongada, é um ato de muita doação. De tempo, de corpo e de alma. Para mim, foi uma das experiências mais lindas que a maternidade proporcionou. Foi realmente maravilhoso e sublime poder me sentir tão parte da natureza e tão conectada com a essência da vida mamífera. Quando eu amamentava, não me sentia diferente de nenhuma espécie que fornece leite à sua cria. Sim, eu sofri e chorei quando percebi que essa fase tinha se encerrado. Mas muito orgulhosa por ter conseguido fazer com que esse processo fosse amoroso e digno para mim e para ela.

mamando aos 3 meses

Se eu soubesse que o desmame estava tão próximo teria tirado uma foto mais recente.

Uma das fotos que eu mais amo: ela dormindo logo depois de mamar.

Uma das fotos que eu mais amo: ela dormindo logo depois de mamar.

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Uma opinião sobre “O desmame

  1. 2 anos e 2 meses é de fato doação total e você fez isso de maneira incrível. Meu desmame foi após 1 anos e 1 mês e mesmo assim Eu também senti isso de ter que ser eu estar lá para mamar antes de dormir e sair correndo de um encontro à noite para vir para casa, ou de algum compromisso, enfim… mas o que acho crucial para qualquer mulher que amamenta é que, além da criança, nós mães precisamo sim sentir prazer em amamentar, e se não estamos mais sentindo isso, é hora de se planejar e aos poucos realizar a transição. Meu desmame durou mesmo uns 3 meses, e hoje pude pegar um cinema com o marido e deixar meu bonitão dormindo na casa e comentar tranquilamente este post. Mais uma vez, parabéns por todo esse tempo em que você se doou com muito amor, tenho certeza que sua pequena vai continuar muito bem, afinal, o carinho e amor vão continuar para sempre!

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