Maternidade e o encontro com o feminino

Nunca me senti completamente conectada com o universo feminino antes de ser mãe. Conversas de mulheres da minha idade frequentemente fugiam do meu interesse. Isso começou a mudar pouco a pouco na minha gravidez (depois de passados os meses de absurdo enjoo): me sentia muito feminina, empoderada, com vontade de trocar experiências com grávidas e ler sobre o que estava acontecendo com meu corpo. Passei a admirar as mulheres de uma maneira diferente. Esta fase sofreu uma breve interrupção com a maneira como eu tive a Olívia (uma cesárea extremamente frustrante e traumática) e foi retomado com a minha experiência com a amamentação.

 

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Amamentar foi (e está sendo) um momento sublime para mim. Tenho passado, neste período de quase 11 meses, por um processo maravilhoso de conexão com o universo feminino. Logo nos primeiros momentos, me sentia em plena afinidade com outras fêmeas (não somente humanas, mas de todas as espécies, especialmente a mamífera), e aproveitei essa sensação para resgatar, acima de tudo, minha própria essência.  Ao me tornar mãe, tive a maravilhosa oportunidade de tratar de aspectos mal resolvidos da minha sexualidade, da minha relação com meu corpo, com minha personalidade e com o que eu realmente quero para a minha vida.

Tenho sido minha própria terapeuta. Tirado das entranhas experiências e fatos do meu passado que tentei, até então, esquecer ou guardar em um lugar bem escondido. Tem sido, muitas vezes, doloroso. Mas é o que tem me dado artifícios para que possa entender quem sou eu e qual é o meu papel como mãe, como indivíduo e como cidadã. Muita coisa em mim foi jogada fora: interesses, relacionamentos e até mesmo coisas materiais, como roupas. É, de fato, uma descoberta (aos quase 30!). Ando querendo ser quem eu sou, coisa que nunca quis.

Mas o mais interessante é perceber o quanto todos os caminhos me levam para o estudo aprofundado da essência feminina, do saber e do sagrado da mulher. Temas como o parir, a amamentação, a maternagem, o corpo e a sexualidade femininos e o próprio feminismo têm sido, mais do que objetos de interesse, objetos de estudo e leitura.

E eu tenho sido eternamente grata pela maternidade, o rito de passagem que me proporcionou o maior processo de autoconhecimento que eu jamais imaginei que pudesse ou conseguisse ter.

 

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4 opiniões sobre “Maternidade e o encontro com o feminino

  1. Também sou apaixonada pela natureza feminina e digo, que agora compreendo (ainda que parcialmente) a sua conexão com o feminino de outra perspectiva: a maternidade. Estou esperando meu primeiro bebê e já comecei a sentir o que você relata. Descobri um lado fantástico das mulheres que não conhecia! Lealdade, carinho, troca de experiências, compreensão, apoio, etc…Sempre pensei que somente os homens tinham uma espécie de Código de Honra! Ainda bem que me enganei, é que nunca tinha engravidado!
    Como sugestão, deixo a indicação do livro: Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés! Conhece?
    Obrigada por compartilhar sentimentos tão verdadeiros quanto profundos!
    Luzia de Fátima Zorze

    • Oi Luzia, é realmente você descobre um mundo de cumplicidade entre mulheres quando engravida. É emocionante! Faz a gente sentir orgulho de ser mulher.
      Já ouvi falar muito desse livro, mas não li ainda! Vou atrás!

      Beijo!

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